Curitiba, 27 de Maio de 2020


 

Caro leitor,

 

Estou escrevendo pra você que é um pré-candidato (assessor ou comunicador) que não venha do alto escalão. Com isso quero dizer que você vem do povo, vem das pessoas, dos cidadãos..

 

Não quero aqui criar uma divisão e nem menosprezar aqueles que o são; não estou aqui pra julgar. Quero dizer que talvez as regras que eles sigam sejam diferentes das que você precise seguir.

 

Por quê?

 

Normalmente o candidato a vereador ou prefeito de alto escalão esse ano vai contar com uma equipe dedicada e exclusiva à sua campanha, paga com seus próprios recursos e recursos de fundo eleitoral.

 

Seu valor de investimento também será bem mais alto do que nós pobres mortais podemos conseguir. Isso é um fato! O jogo pode ser injusto, todos nós sabemos disso.

 

Além disso tem-se a base eleitoral, os caminhos abertos, o como fazer já mapeado; apoio partidário e de aliados; rostos conhecidos apertando suas mãos.

 

Mas...

 

O mundo atual nos dá uma brecha; uma brecha bem grande pra ser sincero, que faz com que pessoas comuns ganhem notoriedade e sejam até mais populares que os políticos de outrora.

 

Dois ingredientes já são conhecidos, veja se o leitor concorda comigo. O primeiro é:

 

  1. A internet

 

Todos nós sabemos disso, não deve ser novidade pra ninguém. Não é a internet em si, nem as mídias sociais (que praticamente é a internet hoje), que faz a diferença mas sim a forma como usamos essa ferramenta.

 

E aí meu amigo, eu te garanto que tem pouca gente que sabe fazer. Poucos candidatos sabem como usar sua fraqueza como força nesse momento que é o de construir seu nome, sua reputação e colocar um posicionamento memorável na cabeça das pessoas.

 

    2. A aversão ao político de alto escalão

 

Não há MELHOR momento na história do Brasil provavelmente para pré-candidatos de primeira ou segunda viagem.

 

Simplesmente não há! Você pôde ver nas eleições de 2018. Pessoas sem notabilidade nenhuma como a Caroline de Toni ou o Kim Kataguiri que construíram rapidamente sua reputação com vídeos na internet.

 

Expressando sua opinião no formato correto.

 

E você, caro leitor, pode fazer o mesmo. Está acessível a todos.

 

Está preparado para saltar ao próximo nível?

Então vamos lá!

 

As Leis da Aceleração de Campanha

 

Primeiro tente situar a sua condição atual. Quantos seguidores você tem? Quantas pessoas te ouvem, escutam o que você tem pra dizer e te levam a sério?

 

É provável que pensar nisso te faça querer desistir.

 

Então o que você vai fazer para ganhar notoriedade?

 

O mais provável, é que no momento atual, você faça uma postagem ou outra, ou coloque grande força no que o pessoal chama de conteúdo.

 

Isso conteúdo. Entretenha seu público, fale de coisas importantes. Mostre como você é preocupado com as pessoas. Dê dicas.

 

Pois é.

 

Temos um problema aqui. Todos irão fazer isso. Absolutamente todos.

 

E vou te dizer que nossos eleitores vão pensar o mesmo sobre todos. “Olha lá; quem são essas pessoas? Quem eles acham que são?”

 

Pois é, nós reagimos assim. Nós não emprestamos nosso brilhantismo pessoal à toa.

 

Então aqui chegamos na primeira lei pétrea que é muito importante que você entenda:

 

  1. Você precisa oferecer algo que seja de ganho pessoal a elas

 

Bem-vindo(a) à política! A arte do possível. Nós fazemos política o tempo todo, só não percebemos.

 

Não veja isso como algo ruim, apenas como um mecanismo natural da sociedade. Nós, ao estarmos interessados em receber a atenção e conquistar seu voto, estamos agindo exatamente da mesma forma.

 

Isso não precisa ser necessariamente macabro (e sei que é uma preocupação de vocês).

 

Vou explicar.

 

Você basicamente está querendo ser eleito, vereador ou prefeito. Ponto. Um interesse pessoal antes de tudo, por mais que você seja uma alma totalmente nobre que só quer entrar na política pelos outros.

 

Continua sendo uma vontade pessoal.

 

Você é eleito com votos, de pessoas da sua região.

 

Perceba que eu estou escancarando a realidade pra você…

 

Pra você conseguir votos, essa é sua única prioridade pessoal, pois isso vai abrir novas portas no futuro, você precisa convencer pessoas.

 

E como você quer convencer pessoas atualmente?

Dando dicas, falando de propostas, de suas ideias. Mas como se você não é ninguém para aquelas pessoas?

 

A não ser que você seja um candidato que já tem um número de pessoas que prestam atenção em ti relativo ao dobro do número total de votos que você precisa para ser eleito; aí tudo bem.

 

Mas essa é a conta.

 

Caso contrário, porque você acha que alguém pararia para o escutar?

Será que o que você tem pra falar é tããão diferente dos outros, tão singular?

 

Talvez seja. E mesmo assim não será escutado! Não é engraçado isso?

Talvez não seja engraçado. Desculpe a franqueza.

 

Veja, eu sou um profissional dos bastidores. Vivo no backstage. Meu trabalho não exige reconhecimento de massa.

 

Mesmo assim eu resolvi fazer um teste. Montar um perfil no Instagram e testar algumas abordagens. Para mim e para meus clientes (interesse pessoal).

 

O que eu descobri? As pessoas não dão a mínima para o que eu falo.

A NÃO SER QUE…

 

Acho que você já deve ter chegado a essa conclusão.

 

A não ser que eu dê algo que é de interesse dessas pessoas.

Elas não vão me emprestar sua atenção assim do nada.

 

Assim como eu quero algo delas, elas querem algo de mim.

É uma transação política.

 

Não sei em qual momento nós esquecemos dessa regra básica.

Quando ficamos tentando criar esses conteúdos, estamos fazendo mais do mesmo.

 

Nessa lição 1 não mencionarei a campanha de rua. Por enquanto...

 

Agora, não estou dizendo que não funcione. Funciona para quem está em outro patamar. Pra quem já é ouvido.

 

E aí as pessoas param para ver o que ela tem para falar. Agora 99,9% das pessoas não têm essa atenção.

 

Tá, Caique, eu já entendi, ninguém me escuta mesmo. Como devo fazer para ser ouvido?

 

Agora estamos fazendo as perguntas certas!

 

A pessoa só vai emprestar sua atenção a ti se, presta bem atenção, aquilo que você tem pra entregar for de benefício próprio, particular, pessoal. Ainda mais no Brasil; nossa cultura nunca foi coletivista.

 

Mesmo quando defendemos uma ideologia, um movimento, estamos defendendo por nós mesmos.

 

Quando alguém vota no Zé da Farmácia por exemplo, existem dois motivos principais. Um desejo de ver aquela pessoa humilde e correta em um cargo político e de que aquela pessoa é uma pessoa próxima e, ele ascendendo, o eleitor em questão terá um contato bom para resolver seus problemas.

 

Ponto.

 

No caso de pessoas sem rótulo humilde, trocamos o humilde pelo inteligente e correto. Só existem esses dois casos.

 

A pessoa votará em você porque você parece uma pessoa inteligente, que sabe o que está falando e honesta, e porque vai defender os objetivos de quem está votando em você. Porque será próximo.

 

No caso do vereador e do prefeito é puramente isso. Consciente ou inconscientemente “vou votar nele porque se ele for eleito terei um contato para resolver meus problemas”.

 

Então a primeira coisa que você tem que fazer é agradar esses objetivos.

 

  1. Inteligente e/ou humilde;

  2. Alinhado com minhas vontades (ideologia, forma de ver o mundo, religião);

  3. Um contato quente que poderá me ajudar a resolver meus problemas.

 

Eu; eu; meus interesses. Eu mesmo.

Anote isso!!

 

É o mesmo sentimento de ser “amigo” do Neymar. Sabe aquele sentimento de ter o contato de alguém que tem algum poder?

 

O exemplo é esdrúxulo mas pode escancarar aquilo que quero expressar.

 

E É SÓ ISSO QUE VOCÊ PRECISA SE PREOCUPAR

 

É isso que vai formar a sua linha editoral, o que vai ditar todas as suas postagens e aparições. Reforçar essas três sensações.

 

Sim, estamos falando de sensações e não decisões puramente racionais.

 

Política é muito coração.

 

Mas sobre isso falaremos na próxima lição, onde eu vou te dar caminhos práticos para você materializar o que acabamos de falar.

 

Se bem que eu tenho alguma certeza que seu cérebro já está borbulhando soluções agora…

 

Até lá!

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